O grande objetivo é o tetra. Tivemos uma vitória sem sofrer gol, e estamos trabalhando em cima disso. Tem a ver com a capacidade da linha defensiva e dos volantes. Hoje estrategicamente baixamos um pouco nosso bloco para procurar transições. O que tivemos de perspectiva, aconteceu: vencer, não sofrer gols e participar de uma final que nos aproxima de sermos tetra.

Palavras do treinador Paulo Sousa, logo após a vitória por 1 a 0 sobre o Vasco, que classificou o Flamengo para a decisão do Carioca.

Não contra o Vasco da segunda metade dos anos 1990 ou, vá lá, de 2011/12. O Vasco atual, de Zé Ricardo. Camisa pesada, história belíssima. Mas hoje um time de Série B que está longe de ser favorito ao acesso.

E o Flamengo jogou para não sofrer gols. E achar dois: um de pênalti de Gabigol na primeira partida, outro de Willian Arão, um dos piores em campo e com titularidade inexplicável, em uma sobra de ataque aleatório iniciado por um escanteio. Somado aos 2 a 1 na Taça Guanabara, nenhum gol de jogada envolvendo a defesa do rival. Outro de Filipe Luís em escanteio e o chute de Arrascaeta que salvou o time em mais uma péssima atuação.

O discurso de Paulo Sousa é preocupante. Tanto se ele, de fato, pensar assim e se contentar apenas com resultados, o que seria mergulhar na vala comum dos treinadores do futebol brasileiro, quanto se for porque notou que, sem vitórias e um título em breve, a vida não será longa no Ninho de Urubu por resistência às cobranças que tem feito interna e publicamente.

Agora terá dez ou onze dias até a decisão estadual, provavelmente contra o Fluminense. Um bom tempo de preparação, apesar da ausência importante de Arrascaeta, a serviço da seleção uruguaia na data FIFA. Será uma boa oportunidade de fazer a equipe evoluir em intensidade e concentração, minimizando erros técnicos. Se for possível diminuir o número de passes longos que não geram ataques, melhor.

O fato é que a evolução está mais lenta que o esperado. As triangulações que surgiam como um bom rascunho no início agora são mais raras. A dinâmica dos volantes também é pobre - e passa, fundamentalmente, pela escolha de Arão como titular, deixando Thiago Maia no banco. A variação do 3-4-2-1 sem bola para o 4-4-2 em fase ofensiva ainda apresenta muitas lacunas. Por erros dos atletas e do treinador, mesmo considerando que é início de temporada.

É justo e natural que Sousa queira o título, que será inédito pelo tetra. O português sabe que a conquista lhe trará paz e algum crédito, sim. Mas no Flamengo, pelo elenco e pela cultura de jogo, o resultado não pode ser um fim em si mesmo. É preciso bem mais para fazer história.


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