O Flamengo irá completar o décimo jogo da Era Paulo Sousa neste sábado (12), às 19h30, contra o Bangu, num Maracanã com ingressos esgotados, com a promessa de continuar mostrando uma evolução tática no começo de temporada.

O treinador já mostrou que tem uma ideia de jogo bem clara. Um modelo, com papéis e comportamentos definidos no ataque e na defesa. Um dos motivos de não repetir a escalação é que, para Paulo, o coletivo está acima do individual. Logo, quem entra em campo deve executar esse plano. E claro, aprimorar o modelo com a qualidade, o toque individual. Como se fosse um diálogo.

O principal ponto de evolução nesses dez jogos é o que Paulo chama de "jogo interior". É a movimentação dos três jogadores que ficam perto da área, entre as linhas de marcação do adversário. Se deu certo contra o Resende e Botafogo, o duelo contra o Vasco e a dificuldade contra o Madureira ligaram o alerta: alguns pontos precisam ser corrigidos.

Antes de mais nada, é preciso ter de cor a ideia do treinador para o Flamengo. Não importa os nomes na escalação, o Flamengo joga sempre de modo propositivo. Busca gols, toca a bola no campo adversário e tenta dominar o jogo por meio da bola. Esse é o objetivo. Como ele se traduz em campo? Paulo quer que o Flamengo siga sempre uma estrutura com a bola.

Não importam os nomes, ou a escalação. Quando tem a bola, o Fla forma um 3-2-4-1. Fabrício Bruno abre do lado direito e Filipe Luís se movimenta mais próximo dos zagueiros. Quem ocupa o lado esquerdo é Éverton Ribeiro, e do outro lado, o lateral avança bastante. Com os lados preenchidos, os pontas devem jogar por dentro, próximos da área. Veja a imagem.



Paulo não repete o time. Vários jogadores vem formando o trio interior:

  • Contra o Vasco: Arrascaeta, Gabigol e Bruno Henrique
  • Contra o Resende: Pedro, Gabigol e Bruno Henrique
  • Contra o Botafogo: Pedro, Gabigol e Arrascaeta

Além de ser o centro de talento do time, a ideia do jogo interior é gerar tabela, aproximação e chance de gol. O trio precisa ser móvel e buscar sempre os espaços vazios que o adversário deixa. Foi o que faltou contra o Vasco. Muito acionado, Arrascaeta se movimentou bastante, mas Gabigol ficou mais fixo pela direita.

Em alguns momentos, a movimentação existia. Mas não acontecia na velocidade para surpreender a defesa do Vasco. Na imagem, você vê que Arrasca vira o corpo, mas não se move. O marcador acompanha. Não é uma linha de passe segura para Filipe Luís, que precisa forçar o jogo e perde a bola.


E como faz para não forçar o jogo? O trio deve jogar de forma mais próxima, buscando o tempo todo um espaço vazio. É algo que beneficia o individual, pois dá tempo para receber a bola, girar e ficar de frente para o gol. E beneficia o coletivo, pois abre linhas de passe para quem chega de trás com a bola. Veja no exemplo contra o Resende: três linhas de passe se abrem, todas num espaço seguro para tocar e girar.



O trio que faz o jogo interior pode se dividir em tarefas. Se um circula e busca o espaço vazio, outro prende a defesa e um outro procura um setor para receber a bola em profundidade. Ou dois podem procurar a entrelinha, e enquanto o passe é feito, outro se projeta. Ou dá ainda pra jogar no mais avançado, que faz o pivô e espera a passagem.

Aí, Paulo tem uma dor de cabeça boa: escolher quem que do elenco melhor preenche cada papel. Um exemplo: Bruno Henrique não foi tão bem como 9 contra o Vasco, mas se movimentou mais contra o Resende.


Outro ponto que Paulo precisa corrigir no jogo interior do Flamengo é o lado direito. Contra o Vasco, Gabigol não teve aquela mobilidade de costume e ficou longe de Matheusinho e Fabrício Bruno. Com Arão mais recuado, o lado direito tinha espaço. Mas não era aproveitado de modo a gerar condições de jogar próximo da área.


Já no lado esquerdo, o Flamengo cria e cria. Muito pela presença de Éverton Ribeiro, que vem jogando mais como ala. Apesar do nome ala, seu papel é de criação. Ele alimenta as corridas de Bruno Henrique e passa muito a Arrascaeta e Andreas. Sempre no mesmo sentido, do lado para dentro. O que acaba fazendo a movimentação ser muito mais exterior (no lado) do que interior (por dentro).

É um jogador que está acostumado a jogar em outra posição, pelo corredor direito, utilizando seu pé esquerdo para poder ter movimentos mais interiores. Dentro desta estrutura, temos três laterais pelo corredor direito de grande profundidade e com muita resistência em termos de alta intensidade. Seja em termos ofensivos ou transições, o que nos permite ter um jogador e rodarmos no jogo, com jogadores frescos.
— Paulo Sousa explica o papel de Éverton Ribeiro no time

Contra o Bangu, Paulo Sousa terá o Maracanã lotado pela primeira vez. Como é de costume, mandará o time no 3-2-4-1 com a bola. E quem fará o trio de ataque, que joga perto da área, de forma interior, pode ser muita gente. Não importam os nomes, mas sim o ajuste que eles precisam ter para que o Flamengo evolua ainda mais com o treinador português.


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