A imagem em looping seja na mente ou um milhão de vezes na televisão levou a uma conclusão: a resposta está no que vem pela frente e não em buscar explicação para o erro decisivo na final da Libertadores, em Montevidéu. 

Quase cinco meses após a derrota do Flamengo para o Palmeiras, Andreas Pereira, enfim, falou sobre uma cicatriz impossível de apagar, mas que deixou de ser uma ferida exposta. Pelo menos, para ele.

É impossível entrevistar Andreas e o lance que aconteceu aos 4 minutos do primeiro tempo da prorrogação da partida de 27 de novembro de 2021 não direcionar todos os questionamentos. O que aconteceu? Dava para fazer diferente? E o sentimento depois da derrota? Há sensação de culpa? Dá para continuar no Flamengo? Já reviu a jogada ou prefere esquecer? Perguntas que o brasileiro – e não belga, como gosta de frisar – respondeu em bate-papo de 20 minutos com o Globo Esporte.

- Eu já vi um milhão de vezes. No momento, estava muito claro o que eu ia fazer e a bola acabou escapando. Já vi um milhão de vezes para ver o que aconteceu, o que poderia ter feito. Não só vi, tive vários sonhos.


Passado tanto tempo, o jogador sabe que nenhuma explicação será suficiente nem para ele e nem para os torcedores, agradece o apoio que o tirou de praticamente um estado de choque nos primeiros dias e olha para frente:



- Para mim, dentro de campo, a final foi um dos jogos que me senti melhor. Não estava acreditando que aquilo tinha acontecido comigo em uma bola que arrisco 100 vezes nos jogos e nunca tinha perdido. Justamente na final, no título que eu mais queria ganhar, vim para o Brasil para ganhar esse título, e teve que acontecer comigo. Não quero que aconteça com nenhum companheiro e fiquei muito triste, foi uma decepção, mas...como vou dizer? Foi um momento de tristeza. Foi difícil.

Na primeira semana, minha família me ajudou bastante, a minha mulher... Mas agora tento pensar em coisas positivas. Aquele lance não vai apagar o que eu fiz pelo Flamengo antes e o que eu posso fazer ainda. Sou maior do que somente um lance que aconteceu.

A tentativa de volta por cima em 2022 tem passado por um processo de entrada e saída do time de Paulo Sousa. A oscilação nas partidas faz com que o lance de Montevidéu automaticamente surja como justificativa para crítica e torcida, mas Andreas garante que a pressão pelo ocorrido ficou no passado. E faz questão de desvincular comparativos como em jogadas que resultaram em gols de Vasco e Atlético-GO nesta temporada.

- Se toda bola que alguém perder sair um gol... Não é assim que funciona. Para essas coisas, não fico preocupado. Sei que é mais fácil falar que o Andreas Pereira errou, todo mundo vai querer ler isso, vai dar mais clique e atenção, mas estou tranquilo. Sei na minha cabeça o que é o futebol.

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